Hepatite D: Confira as causa da doença e tratamento.

Imagem: Reprodução/Google

A hepatite D é uma doença viral do fígado que requer a infecção prévia de hepatite B para se desenvolver. Existem poucos casos no mundo. A hepatite D é causada por uma partícula semelhante aos vírus, mas que não pode ser chamada de vírus. Por não possuir todas as estruturas usuais de um vírus, foi classificada como subvírus ou virusoide.


O agente que causa a hepatite D é denominado agente delta ou deltavírus. Sua descoberta o incorporou à família dos vírus causadores da hepatite, junto com a hepatite A, B, C e E.


Sua estrutura microscópica é simples. Possui apenas uma molécula de ácido ribonucleico (RNA) em formato circular que utiliza para se multiplicar. No entanto, esse RNA não codifica outras funções. Daí a categoria de subvírus em que está incluído.


Uma vez que não possui estruturas para outras funções além da replicação, requer outro vírus para suportá-lo. No caso da hepatite D, o vírus que serve de apoio é o da hepatite B. 


Uma vez que o agente delta ingressa no corpo humano que foi anteriormente infectado com hepatite B, o deltavírus se aproveita da estrutura do vírus B. Por isso, a preexistência de hepatite B é uma condição necessária para a infecção por hepatite D. Existem poucos casos de hepatite D no mundo e, portanto, esta é uma patologia rara ainda em estudo. Neste artigo, contamos o que se sabe até agora.


Prevalência da hepatite tipo D

No mundo, estima-se que cerca de quinze milhões de pessoas sofram com esta doença. Pensando na população planetária geral, este não é um número elevado. Esses pacientes infectados também são uma pequena porcentagem entre os que padecem de hepatite B.


Geograficamente, existem regiões com maior prevalência de hepatite D do que outras. A África Central, o Norte da Ásia e o Oriente Médio são os mais afetados. Na Europa, ela se localiza especialmente no Mediterrâneo oriental, e na América, está na Amazônia.


Transmissão da doença

A principal via de transmissão da hepatite tipo D é o sangue. É comum que quem a sofre a tenha contraído na troca de seringas devido à dependência de drogas intravenosas. Com menos frequência, a transmissão pode ocorrer ao fazer uma tatuagem com objetos não esterilizados.


Por outro lado, as transfusões de sangue também podem ser responsáveis pela transmissão se forem realizadas sem as devidas medidas. Hoje em dia, a existência de bancos de sangue sem biossegurança é praticamente inviável, mas esta ainda é uma possibilidade.


Sabe-se que a hepatite D pode ser transmitida sexualmente, embora os casos sejam muito específicos e em pequena proporção. Da mesma forma, a transmissão da mãe para o filho no útero, chamada de contágio perinatal, tem baixa incidência.


Conhecendo as rotas de contágio da hepatite D, podemos estabelecer quando há maiores riscos de contágio. Os grupos populacionais com maior risco são:


  • Viciados em drogas intravenosas.
  • Pacientes com hepatite B: lembre-se de que esta é uma condição indispensável para a instalação do vírus da hepatite D no organismo.
  • Filhos de mães infectadas durante a gravidez.
  • Vírus da Hepatite D
  • A via sanguínea é a forma usual de contágio da Hepatite D.

Formas de apresentação da hepatite D

Como a hepatite D surge em um paciente com hepatite B prévia, os sintomas devem ser compreendidos nesse contexto. Ou seja, existem sinais atribuíveis à hepatite B e outros próprios da hepatite D.


Um quadro clínico que os cientistas têm descrito no mundo é a hepatite aguda devido à coinfecção. Isso acontece devido a uma infecção quase simultânea entre os dois vírus. Os sintomas são os da hepatite comum, com dor abdominal, aumento do tamanho do fígado, icterícia, náuseas e vômitos. Assim como pode ser uma condição leve, também pode evoluir para uma hepatite fulminante.


Outra variedade de apresentação é a superinfecção. Em uma pessoa com hepatite B de longa data, a hepatite D se instala para acelerar a evolução da primeira doença. A hepatite subjacente de que o paciente sofre progride mais rapidamente, e as complicações aparecem mais cedo do que o esperado.


Essas complicações são:


  • Cirrose: é a alteração da estrutura interna do fígado. As células do fígado ficam desorganizadas e param de funcionar progressivamente. Aparece um tecido cicatricial que invade partes do fígado, interrompendo o fluxo sanguíneo.
  • Insuficiência hepática: uma vez que a cirrose esteja permanentemente instalada, o fígado para de funcionar. Todas aquelas tarefas que este órgão deveria desempenhar no corpo não são realizadas, e a falha torna-se terminal.
  • Câncer de fígado: pacientes com hepatite B têm um risco aumentado de desenvolver um tumor maligno no fígado. A superinfecção por hepatite D acelera esse risco.


Olhos amarelados

Um dos sintomas da hepatite é a coloração amarelada da pele e das mucosas, chamada de icterícia.


Diagnóstico e tratamento

Diagnosticar a hepatite do tipo D não é tão simples. Em primeiro lugar, é necessário o diagnóstico de hepatite B, que é a condição para a instalação do agente delta. Posteriormente, a presença de hepatite D pode ser confirmada com um exame de sangue.


Uma vez confirmado o diagnóstico, o tratamento dependerá do quadro clínico do paciente. Existe um antiviral chamado interferon alfa peguilado, que é indicado por oito meses, mas sua eficácia é baixa.


Para a cirrose avançada e a insuficiência hepática, ou cânceres hepáticos não metastáticos, uma opção é o transplante de fígado.

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