Presidente da Republica Bolsonaro Diz que a Vacina da China não passa segurança “pela sua origem”.

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BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira que o Brasil não comprará a vacina CoronaVac da empresa chinesa Sinovac e está sendo testada no Brasil pelo Instituto Butantan porque a droga não transmite segurança "por sua origem" e não tem credibilidade.


Em entrevista à rádio Jovem Pan na noite de quarta-feira, Bolsonaro foi questionado se autorizaria a compra da CoronaVac caso houvesse registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e respondeu que não.


"Da China não vamos comprar. Não acredito que transmita segurança à população pela sua origem. Esse é o nosso pensamento", disse ele.


Bolsonaro também foi questionado sobre os motivos que o levaram a vetar, no dia anterior, a compra pelo governo federal da vacina chinesa.


"Credibilidade", respondeu ele. "A ideia é abrir espaço para outras vacinas mais confiáveis. Confie também."


"A China, infelizmente, já existe muita descrédito por parte da população. Porque, como muitos dizem, esse vírus teria nascido lá", disse ele.


A China é o principal parceiro comercial do Brasil e só em 2020 importou US$ 53,4 bilhões em produtos brasileiros, segundo dados do Ministério da Economia.


Na entrevista, o presidente lembrou a intensa relação comercial do Brasil com o país asiático, mas disse que em alguns aspectos é possível não estar "totalmente alinhado".


A embaixada chinesa no Brasil não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.


A CoronaVac está em teste no Brasil sob um acordo de produção e transferência de tecnologia entre a Sinovac e o Instituto Butantan, que pertence ao governo de São Paulo e é um dos principais produtores de vacinas utilizadas no Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde.


O acordo prevê a compra inicial do ingrediente ativo da vacina, uma vez aprovada pela Anvisa, para a produção de doses no Brasil e, assim que o Butantan absorver a transferência de tecnologia, a produção integral no país.


Bolsonaro também disse que é possível ter uma vacina de outro país ou mesmo de um brasileiro, que transmitiria confiança à população.


O governo do Estado de São Paulo é comandado por João Doria (PSDB), adversário político de Bolsonaro e amplamente visto como provável candidato à presidência em 2022, quando Bolsonaro concorrerá à reeleição, como já disse várias vezes.


Pazuello fica

O presidente revogou nesta quarta-feira a decisão tomada pelo ministro da Saúde Eduardo Pazuello, que assinou um protocolo com o Butantan para a compra de 46 milhões de doses de CoronaVac a serem incluídas no Programa Nacional de Imunizações. O acordo foi anunciado na terça-feira na reunião de Pazuello com governadores, entre eles Doria.


Bolsonaro disse que houve "precipitação" do ministro na assinatura do protocolo e que ele deveria ter sido informado por ser uma decisão importante.


"Parece que ele tomou a decisão ontem em uma ocasião de videoconferência. Falei só agora pelo zap (WhatsApp) com o Pazuello, sem problema algum, meu amigo de longa data, ele vai continuar ministro. Ouso dizer que ele é um dos melhores ministros da saúde que o Brasil teve nos últimos anos", disse Bolsonaro.


Na verdade, o protocolo só foi informado aos governadores durante a reunião por videoconferência, mas havia sido assinado no dia anterior.