Pesquisadores da Universidade de Stanford descarta elo entre tipo sanguíneo e a incidência de Covid

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Uma investigação de mais de 100.000 pessoas nos Estados Unidos mostrou que não há relação entre tipo sanguíneo e suscetibilidade ou não contrair Covid-19. Pesquisas anteriores indicam que pessoas com tipo A sanguíneo eram mais suscetíveis ao vírus.


O estudo, publicado no The Journal of the American Medical Association, utilizou o banco de dados de 24 hospitais e 215 clínicas em três estados dos EUA (Utah, Nevada e Idaho) associados à Intermountain Healthcare, um sistema de saúde sem fins lucrativos.


A pesquisa foi liderada por pesquisadores da Universidade de Stanford, da Escola de Medicina de Utah e do Instituto do Coração do Intermountain Medical Center.


Existem quatro tipos principais de sangue: A, B, AB e O. Para investigar a suscetibilidade e gravidade do Covid-19 no sangue, os pesquisadores analisaram amostras de 107.796 indivíduos diferentes que realizaram testes de PCR em hospitais e clínicas pertencentes à Intermountain. Em casos de múltiplos testes, os especialistas levaram em consideração apenas o primeiro teste com resultado positivo ou negativo dos participantes.


Para analisar a associação entre o grupo sanguíneo ABO e a incidência da doença, foram comparadas amostras de sangue de exames que deram positivo e negativo para a presença de Covid. Entre os positivos, foram realizadas análises entre amostras de pacientes internados e não hospitalizados, bem como pacientes que estavam ou não na UTI.


Em julho de 2020, o New England Journal of Medicine publicou um estudo que sugeriu que aqueles que tinham sangue tipo A eram mais propensos a ter a forma grave da doença, enquanto aqueles com tipo O eram menos propensos. Um estudo chinês, publicado em maio do mesmo ano, já havia sugerido essa relação.


O banco de dados utilizado em estudos anteriores difere da pesquisa atual. Cientistas na Itália, Espanha, Dinamarca, Alemanha, entre outros países, compararam cerca de 2.000 pacientes em estado grave de Covid-19 com milhares de outras pessoas que estavam saudáveis ou com apenas sintomas leves ou inexistentes.


Segundo os pesquisadores, os estudos anteriores podem ter chegado a diferentes conclusões devido ao “tamanhos de amostra menores e a natureza retrospectiva e observacional”.


O grupo também defende que o “gene ABO é altamente polimórfico e os grupos sanguíneos ABO são distribuídos de forma diferente entre ancestrais e geografias”, o que explicaria a incidência maior de um tipo sanguíneo em uma determinada região.


De acordo com o estudo, os pesquisadores não identificaram quaisquer relação entre o tipo sanguíneo e as chances de contrair a Covid-19, assim como também foram eliminadas as hipóteses de o fator agravaria a severidade da doença.


“O tipo sanguíneo não foi associado à suscetibilidade ou gravidade da doença, incluindo positividade viral, hospitalização ou admissão na UTI”, afirmam os autores no estudo.


Resultados evidenciaram que, comparado com o sangue do tipo O, o tipo A não foi associado ao aumento da positividade viral, hospitalização ou admissão na UTI. “Da mesma forma, os tipos B e AB não foram associados a resultados piores do que o tipo O.”


Apesar de não ter sido identificada relação entre o grupo sanguíneo ABO e a Covid, outras características demográficas ficaram em evidência após a análise.


A maioria dos indivíduos testados foram mulheres. Ao todo, elas representam 76,9% da base de dados. Entre os pacientes com Covid, entretanto, os homens são os mais hospitalizados (50,1%) e também entre os casos de internação nas UTIs (61,8%).

A idade média entre os pacientes hospitalizados foi de 57 anos e nas UTIs, 60 anos.