Pedro Guimarães, presidente da Caixa afirma; Não subirá taxas do crédito imobiliário tão cedo e lançarei mega operação de microcrédito.

Imagem:Google

SÃO PAULO – Mesmo com a Selic aumentando 0,75 ponto percentual para 2,75% ao ano na última reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), e às vésperas de uma nova alta na próxima reunião de maio, Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal, disse em entrevista ao InfoMoney que o banco não deve elevar a taxa de juros sobre o financiamento imobiliário tão cedo.


"No momento não discutimos um aumento nas taxas de juros. Poderemos fazer ajustes, mas por enquanto não teremos taxas mais altas. [...] Mesmo com um potencial aumento da taxa em breve, não vamos [vamos aumentar as taxas]", disse o executivo em live realizada na sexta-feira (9).
 


Hoje, a Caixa possui quatro linhas de financiamento imobiliário: a mais tradicional, atrelada à Taxa Referencial (TR), atualmente zero, mais uma taxa fixa; o vinculado ao IPCA; um terço e mais recente, vinculado à remuneração da poupança; e o modo não indexador, que tem uma taxa fixa.


Por que a Caixa deve manter os juros mesmo com a Selic mais alta?

Durante a live, Guimarães explicou como cada uma das linhas funciona para explicar por que não prevê aumento das taxas por enquanto. Ele disse que tanto a opção atrelada à poupança quanto a atrelada ao IPCA têm indexadores que naturalmente acompanham os aumentos da Selic. A linha indexada à TR também tende a subir quando a Selic aumenta, mas o impacto do aumento dos juros básicos na TR é menor.


De qualquer forma, as três modalidades também possuem taxas fixas, além de indexadores e, segundo o presidente da Caixa, os juros prefixados não devem ser alterados por enquanto.


"Esse movimento do Banco Central [para elevar a Selic] teve dois efeitos: reduziu a taxa de câmbio, e, em segundo lugar, manteve a expectativa de taxas mais longas de ID (Depósitos Interbancários), que são as mais importantes. Havia uma expectativa do mercado de que se não houvesse aumento da Selic a curto prazo, poderíamos ter um aumento da inflação em três, quatro anos [mas isso não se concretizou, já que o BC subiu para a Selic]", explicou.


Basicamente, essas taxas de juros mais longas são formadas a partir de negociações que acontecem com IDs futuros, ou seja, com títulos cujas taxas são baseadas nas expectativas dos investidores sobre o interesse do país no futuro. Portanto, a chamada curva de juros futuro é uma espécie de termômetro que mostra o custo do dinheiro no longo prazo.


A decisão do BC de elevar a Selic acima do esperado reduziu as expectativas de inflação para o futuro (à medida que as taxas de juros mais altas ajudam a conter a inflação).

Portanto, apesar do aumento das taxas de juros no curto prazo, a expectativa sobre as taxas de juros mais tarde diminuiu, o que permite a manutenção dos juros sobre o financiamento imobiliário nos níveis atuais.


Questionado se os juros devem subir a partir da próxima reunião do Copom em maio, já que o BC sinalizou que deve fazer um novo aumento de 0,75 ponto percentual nesta reunião, Guimarães explicou que a Caixa só deve elevar a taxa de juros do financiamento, se houver uma expectativa de que as taxas futuras de ID superem as atuais.


"Enquanto tivermos a estrutura de juros atual, há um ganho tanto para a Caixa tanto no crédito imobiliário em si, quanto em outros produtos que os clientes fecham com a Caixa, como seguros, cartões, investimentos", disse o executivo.


Guimarães acrescentou que a Caixa tem cerca de R$ 150 bilhões de recursos da poupança para continuar oferecendo crédito aos consumidores, apesar dos recentes resultados negativos apresentados pelo BC sobre o saldo da poupança, que apresentou mais resgates do que depósitos nos três primeiros meses de 2021.


"Temos uma carteira de cerca de R$ 500 bilhões em crédito imobiliário dividido em dois financiamentos: poupança e FGTS. Hoje, desse total, há cerca de R$ 250 bilhões sendo emprestados à população mais pobre via FGTS e a outra metade para a classe média via poupança. Mas temos um volume de cerca de R$ 400 bilhões em economia, o que nos dá espaço para emprestar mais nos próximos anos", explica.


Caixa anuncia microcrédito

Ainda durante a live, Guimarães compartilhou uma novidade: a Caixa oferecerá uma nova linha de microcrédito que deve atingir cerca de 10 a 30 milhões de brasileiros de baixa renda, com uma taxa média que pode variar entre 3% e 3,5% ao mês. "Teremos a maior operação de microcrédito, que será feita exclusivamente pelo banco digital Caixa Tem, e impactará de 10 a 30 milhões de brasileiros", disse o executivo.


Na prática, a Caixa pretende atrair clientes que hoje fazem uso de linhas de crédito automático, como cheque especial ou rotativo de cartão de crédito, que têm juros que vão a partir de 10% ao mês. "Essas pessoas vão desenvolver uma curva de aprendizado com microcrédito. Uma boa parte já leva crédito, mas com taxas muito altas e vamos oferecer melhores condições", disse.


O presidente da Caixa explicou que o Caixa Tem, aplicativo que operacionaliza o pagamento do auxílio emergencial, deve passar por uma revitalização para se posicionar como o "banco digital brasileiro voltado para a população mais pobre". Sua nova estrutura deve ser baseada em três pilares principais. O primeiro, já ativo, é o pagamento de benefícios sociais, como auxílio emergencial, que já conta com 30 milhões de usuários ativos por mês, número que chegou a 107 milhões na primeira rodada de pagamento de auxílios.

Fonte:Infomoney