Embaixada do Brasil na China sai em defesa da Huawei em meio à pressão dos EUA


Em meio às discussões sobre o leilão de 5G no Brasil, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Zhao Lijian, saiu em defesa da Huawei nesta terça-feira, 20, através do perfil nas redes sociais da Embaixada do país no Brasil.


Mais cedo, a delegação de autoridades norte-americanas que visitam Brasília disse que os Estados Unidos estão dispostos a financiar investimentos no setor de telecomunicações brasileiro para impedir a participação da empresa chinesa na justificativa para a proteção de dados, conforme noticiado pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.


"A Huawei disse que gostaria de assinar um acordo de 'proibição de backdoors' com todos os países", disse o porta-voz ao defender a empresa chinesa. O discurso vem depois que o conselheiro de Segurança dos EUA Robert OBrien, que lidera a visita da delegação ao Brasil, disse ontem que o uso da tecnologia 5G da Huawei pode representar riscos à segurança de dados no país.


"Se você acabar com a Huawei em sua rede 5G, haverá backdoors e a capacidade de decifrar quase todos os dados gerados em qualquer lugar do Brasil, seja pelo governo, pela frente de segurança nacional, ou por empresas privadas em suas habilidades para inovar e desenvolver novos produtos", disse O'Brien, segundo o Broadcast.


Zhao Lijian reverteu as acusações de espionagem, afirmando que os EUA "realizaram escutas cibernéticas e vigilância" em resposta às recentes declarações dos americanos.


"Acho que a razão pela qual os EUA suprimem a HW Huawei é que, se outros países usarem equipamentos HW, os EUA não poderão mais tocar outras pessoas pelos backdoors", diz o texto publicado.


Na série de posts, Zhao Lijian criticou o plano "Clean Network" promovido pelos EUA para limitar a participação da tecnologia. Os posts chamam a iniciativa de "Rede Suja", afirmando que é uma "rede de monopólio que "promove uma Guerra Fria nos campos da ciência e tecnologia e discriminação contra determinados países".


Neste contexto de pressão americana para impedir a participação da empresa de tecnologia no leilão brasileiro, Zhao Lijian disse, ainda por meio das publicações da Embaixada, que "a maioria dos países permanecerá independente, tomará suas próprias decisões, dirá não à Rede Suja dos EUA e promoverá um ambiente de negócios justo, aberto e não discriminatório para #5G empresas de tecnologia em todo o mundo".